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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Festa das Flores (conto)

Hoje o jardim estava muito movimentado!
A festa logo iria começar e todas as flores se aprontavam para o grande dia.
Sem duvida dona Primavera estaria chegando trazendo muita alegria para todos no jardim.
Como sempre as margaridas haviam se esparramado em vários lugares tão lindos no seu branco e amarelo.
Do outro lado estava o canteiro grande das rosas, soberbas rainhas as cores então eram variadas, mas a vermelha era demais.
Até os lírios que gostavam muito de conversar estavam agora voltados para as rosas admirando-as.
Algumas tulipas também começavam apontar, eram firmes e marcavam presença todo ano.
Os canteiros de azáleas estavam um pouco atrasados este ano, vindo bem de mansinho.
A grama apontava toda verde como um grande tapete.
No fundo do jardim havia a cascata derramando sua água que corria por um córrego de pedrinhas brancas, levando um bom frescor para todas as flores.
Havia também enormes vasos com plantas lindas que nem sei o nome.
O canto das orquídeas estava esplendoroso!
Imponente se destacava em baixo da grande sobra que o coqueiro lhes proporcionava.
Sem dizer da alegria dos pássaros que dali só saiam a noitinha para irem dormir.
A chegada da Primavera era alegria para todos.
Bem longe dali, numa pequena floresta viviam as borboletas que eram chamadas de fadinhas da floresta.
Era uma família muito grande, mas unida.
Dividiam as tarefas e ajudam os menores mesmo que não fossem de sua família.
Assim foi que surgiu a idéia de ir visitar o Jardim que os pássaros falavam tanto!
Iremos todas juntas ficamos por lá e à tardinha já estaremos de volta.
É claro que aceitaram e combinaram o passeio.
Sairiam bem cedinho quando o dia estava já clareando.
Seus pais sabiam do passeio e haviam consentido.
Voaram por um bom tempo e o amigo Vento ajudava levando-as pelo caminho certo.
Quantas coisas viram pelo caminho...
Ficaram tentadas a parar varias vezes.
Mas lembravam das recomendações de seus pais e continuavam.
Finalmente chegaram ao Jardim.
-Nossa que lugar lindo exclamaram todas!
O portão estava aberto e muitas pessoas iam entrando.
A musica vinha das arvores, onde alto falantes estava instalados.
Não havia sujeira nenhuma no chão tudo limpinho.
E o perfume das flores então, delicioso.
Foram pousar numa frondosa arvore e dali podiam ver quase tudo.
-Que coisa linda disse a borboleta Azul, porque nossa floresta não fica assim?
-Assim como respondeu a borboleta Branca.
-Ora, limpa organizada parece até que tem brilho!
-Bem minha cara amiga é tudo uma questão de Trabalho e Disciplina.
Quando se trabalha e realmente se quer fazer aquilo, dá certo.
Com disciplina então melhor ainda.
-Poderíamos convocar os pássaros e os demais insetos todos os moradores e explicar o que se pode fazer!
-Não digo que fique assim como este Jardim, pois nossa floresta é maior.
Mas que iria ficar melhor tenho certeza.
-Neste momento a banda entrou pelo portão e começou a tocar para alegria de todos os presentes.
As borboletas estavam todas paradinhas na arvore vendo aquele espetáculo.
Bem banda não precisa, pois os pássaros já cantam o suficiente, mas uma boa arrumação e colocar regras ordens,
Ah tudo isto vai ser muito bom.
Assim estavam pensando quase todas, pois uma havia se soltado e elas nem perceberam.
Por final a encontraram perto da cascata.
Havia se molhado tanto que não conseguia voar!
-É precisamos mesmo fazer muitas coisas em nossa família.
Não é só voar comer e brincar.
Aprender as lições todas principalmente de boas maneiras.
Prestar atenção quando nos ensinam.
Termos nossas coisas organizadas, respeitar as regras e ordens.
Falarmos a verdade por pior que seja.
Viver feliz vendo a natureza tão linda que esta por ai em qualquer cantinho que você queira. Até mesmo num simples vaso!
É isso mesmo montar um jardim é fácil, cuidar dele como se deve já fica um pouco mais difícil.
Mas o prazer que ele nos dá é muito grande.
Até os pássaros irão gostar livres voando admirando as flores.
-Ah a festa das flores começou vou ficar neste galho, assim poderei ver melhor até secarem as asinhas de minha irmãzinha.
No jardim da vida sempre colheremos o que cuidarmos.


Marlene B. cerviglieri

Os Pássaros as Borboletas e as Abelhas ( conto)

A história que vou contar agora, é de um jardim encantado.
Estava bem no meio de uma enorme floresta.
Lá havia flores de todos os tipos, arvores lindas e muitos pássaros borboletas e abelhas.
Viviam todos em uma perfeita harmonia.
Os pássaros cantavam o dia inteiro mesmo fazendo suas tarefas.
É eles tinhas suas tarefas também.
Levavam sementinhas de um lado para o outro, cuidavam de seus ninhos e procuravam frutinhas para alimentar seus filhotinhos.
As borboletas já eram mais quietinhas, ficavam nos troncos e nos galhos e voavam de um lado para outro visitando as árvores que se divertiam muito com elas.

Havia borboletas de todas as cores e elas tinham um pouco de medo dos besouros que de vez em quando apareciam por lá.

Não faziam nada para ninguém, mas elas não gostavam não.

As abelhas por sua vez trabalhavam e muito.

O dia inteiro fazendo o mel para suas casinhas que começavam muito pequeninas e depois ficavam grandes.

Eram chamadas de Colméias. Compravam das flores o que precisavam para fazer o mel.

O que elas não gostavam muito era das formigas que de vez em quando costumavam invadir seu território por causa do mel..

Outros bichinhos e insetos também moravam lá e cada um tinha sua função.

Quero dizer seu trabalho e sua atividade.

Bem, certo dia uma menina resolveu dar um passeio e foi parar no jardim encantado.

Tantas flores pássaros e borboletas ficou encantada. Brincou com todos e depois de estar cansada deitou embaixo de uma árvore muito linda.

Olhando para cima deitada que estava via a árvore toda florida com sua imensa copa.

Não é copa da cozinha não, pois Copa é o nome que dá para os arbustos grandes da árvore.

Ela fica quase que redonda e bem grande.

Ficou ali deitadinha e começou a ouvir a conversa dos passarinhos e de todos que estavam na árvore.

Veja só os pássaros estão formando um ninho com gravetos!

Iam e voltavam trazendo no bico o galhinho para formarem seus ninhos...

Que coisa mais linda e como trabalham!

No tronco havia algumas borboletas pousadas como se estivessem cuidando que eles fizessem um bom trabalho.

Mas eis que de repente apareceu um pássaro muito grande com um peito todo branco e as asas cor cinza.

Veio e pousou num galho olhando o trabalho dos outros.

O que seria este pássaro?

Pois é era um gavião carcará!

Vinha para acabar com os ninhos, comendo os ovinhos...

A menina ficou tão assustada e não tirou os olhos dele.

O que poderia fazer pensou?

Foi quando lá do topo das árvores desceu um bando de abelhas.

Vinham como um pelotão de soldados fazendo muito barulho e voaram toda a volta do gavião.

Este ainda tentou bater as asas e pegar algumas delas.

Mas não conseguiu teve que sair voando depressa dali.

Isto feito os passarinhos que eram as mamães arrumando os ninhos voltaram a cuidar de suas casinhas.

As borboletas começaram a voar alegres, pois o perigo havia passado.

Foi então que a menina pensou:

Eles formam uma comunidade vivem todos aqui e se protegem.

Eram unidos e no que fosse possível ajudariam uns aos outros.

Foram muito valentes as abelhas enfrentando um pássaro tão grande e perigoso!

Ajudar aos outros sempre vai valer a pena.

Lembrou-se de quando caiu da bicicleta e foi ajudada por uma senhora.

Faz parte do sistema de nossa vida ajudar aos outros pensava.

Aquele dia ficou como uma lição de vida para ela.

Quando voltou finalmente para usa casa contou para sua mãe o que tinha visto.
Mas também levou uma advertência, você foi muito longe e eu nem sabia onde você estava.
Correu perigo também, pois o pássaro podia ter atacado você!
Pediu desculpas e nunca mais iria sair por ai sem dizer aonde iria.
Juntou seus amiguinhos e resolveram montar um clube de ajuda.
Todo dia iriam ajudar de alguma forma. Porque quem ajuda também recebe.
E o jardim continuou seguindo seus dias lindos de sol ou com chuva, pois tudo faz parte deste mundo maravilhoso que vivemos.
E você já fez sua boa ação hoje?

Marlene B. cerviglieri

A Mensagem Secreta ( conto )

"Era uma vez um homem muito rico e generoso que tinha um lindo papagaio numa belíssima gaiola de ouro. Era uma ave tão esperta e falante que, de longe, todos confundiam a sua voz com a de uma pessoa. Certo dia o homem decidiu fazer uma viagem e perguntou à esposa, à filha e aos empregados o que desejavam que ele lhes trouxesse de presente. Aproximando-se da gaiola, disse ao papagaio: - Meu querido amigo, o que gostarias de ganhar? - Não preciso de nada – respondeu a ave – tenho apenas um desejo. Nesse país para o qual o senhor viajará, existe uma grande floresta onde há uma árvore maravilhosa, a árvore dos papagaios. Foi lá que eu nasci. É lá que estão todos os meus amigos. Por favor, vá até eles e transmita-lhes esta minha mensagem: "Meu papagaio, que mora na minha casa numa linda gaiola dourada, mandou-me dizer-vos, a vocês que vivem livremente pela floresta, jardins e bosques, que os vossos corações vão ficar frios e duros como pedra, pois esqueceram-se dos vosso infeliz irmã, que vive fechado. Se vocês não o ajudarem, ele morrerá na gaiola". - E o papagaio acrescentou ainda: - Por favor, meu senhor, preste muita atenção na resposta que eles lhe darão. O homem anotou a mensagem e partiu. Atravessou muitos lagos e florestas até chegar ao país onde nascera o papagaio. Depois prosseguiu a sua rota para descobrir onde ficava a magnífica árvore por ele descrita. Ao encontrá-la, ficou surpreso com a beleza das aves misturadas às folhas e galhos daquela árvore imensa. Tirou uma folha de papel do bolso e anunciou: - Caros amigos papagaios, trago aqui uma mensagem que minha ave me pediu que vos transmitisse. Porém, assim que ele chegou à parte em que o papagaio dizia que os corações dos seus amigos eram duros como pedra, todas as aves caíram das árvores, mortas. Assustado, o homem saiu rapidamente de lá. Quando regressou ao lar, preparou-se para contar a triste notícia ao seu querido papagaio. - Meu amigo, aconteceu a coisa mais terrível do mundo. Estou tão triste e desconsolado! Fiz tudo como tu me pediste, mas, quando cheguei ao trecho da mensagem em que dizes que os teus amigos têm corações duros como pedra, eles caíram mortos bem à minha frente. Mal o homem terminou de falar, o seu próprio papagaio caiu duro diante dele. O homem chorou muito, tirou o papagaio da gaiola levou-o para o jardim para enterrá-lo. Porém, logo que foi deitado sobre a relva, o papagaio abriu os olhos e saiu a voar. Só então o homem percebeu que a sua ave tinha recebido uma mensagem secreta. Na verdade, quando os papagaios da árvore se fingiram mortos, estavam apenas mostrando como se deve fazer para escapar de uma gaiola. Agora ele também seria livre como os seus irmãos. E quanto ao homem, em vez de se julgar traído pela ave, ficou feliz com a beleza e alegria do seu voo, sentindo muita leveza no próprio coração. "


Por: Maria Lua

Uma lição de Ecologia (conto)

A sala estava quieta demais. Não vi sinais de nada que sugerisse algum tipo de movimento, pessoas, animais domésticos, especialmente insetos, nada. Era comum ter alguém na sala àquela hora, então imaginei que havia perdido a hora e já era muito tarde. Fiquei espantado quando olhei para o relógio de parede e vi que ainda era muito cedo. Algo muito estranho estava acontecendo ali. Fiquei estático no meu canto, à entrada da porta, sem fazer nenhum ruído; e aguçando meus ouvidos tentei captar algum barulho que me desse alguma pista do que podia estar acontecendo naquele local.
O silêncio era tanto que meus ouvidos podiam mesmo captar o zumbido do silêncio. Olhei para todos os lados e tudo permanecia igual, imóvel, nenhum sinal de vida. Se quisesse descobrir o que estava acontecendo, teria que explorar o local, mas sem fazer barulho. Senti minha pulsação aumentar e tive que respirar fundo várias vezes antes de resolver dar o primeiro passo, afinal, não tinha a menor idéia do que iria encontrar pela frente. Lembrei de uma história onde uma família inteira desaparecera enquanto dormiam. Lembro das especulações na época. Os jornais logo noticiaram que haviam sido seqüestrados por seres do espaço; outros afirmavam que eles teriam desaparecido, quando o filho menor abriu um livro secreto do pai que era arqueólogo, e sem saber o que estava fazendo pronunciou palavras mágicas, como resultado um portal de outra dimensão se abrira arrastando a todos para dentro.

Não sei o que disseram os jornais e revistas, talvez nem tenham dito nada, quando eles voltaram da viagem de férias, dizendo aos vizinhos que saíram à noite porque sua criança era sensível aos raios ultravioletas do sol. Lembro de minha mãe falando de uma lenda quando eu era criança. Dissera que, de tempos em tempos, casas que eram construídas sobre portais dimensionais, sumiam misteriosamente sem deixar vestígios. Bem pelo menos, a casa estava ali inteirinha. Pelo canto da parede, caminhei devagar, e a cada passo que dava prendia a respiração. Um pó branco, podia ser visto perto de um vaso de planta à entrada da outra sala, a sala de estar. Antes de prosseguir, numa velocidade surpreendente, minha imaginação começou a trabalhar mil idéias tentando acomodar uma delas que fosse a mais sensata para explicar o tal pó.

De repente podia até nem ser pó, pensei; podia ser outra coisa. Por um instante esqueci de todo resto e fiquei criando coisas à respeito daquela matéria branca com jeito de pó. Então tomei um grande susto; ouvi um ruído como um gemido, e depois um som que sugeria algo caindo no chão. Meu coração disparou de vez e senti um arrepio percorrendo todo o meu corpo. Meus olhos petrificados, impossibilitados de pestanejar, olhavam ansiosos para a entrada da sala de estar, pois a qualquer momento alguma coisa desconhecida poderia sair de lá. Agora não podia mais recuar, estava bem à vista e me faltavam forças para reagir e até para correr. Então tudo ficou quieto outra vez. Nunca pensei que minha imaginação fosse tão ágil em aperfeiçoar todos os meus medos; e logo que tentava desfazer alguma idéia escabrosa, ela logo colocava outra na fila.

Num momento de lucidez, não sei como, cheguei a pensar que ela, minha imaginação, era meu maior inimigo. Percebi então que era mesmo, pois sempre que eu removia um medo apelando para o bom senso, ela lançava novas e fantásticas teorias sobre quase todas as coisas capazes de me fazer medo. De real havia apenas a casa sem pessoas, e apenas aquele ruído, que como não se repetiu, podia mesmo ter sido minha imaginação que o criara, e mais nada. No entanto, ela, minha imaginação já me convencera várias vezes, num curto espaço de tempo, que minhas horas estavam contadas. Encostei-me na parede e me arrastei para mais próximo da entrada da sala de jantar por onde eu entrara. Não sei como fiz isso, e então comecei a sentir algo estranho. Era um cheiro como de uma flor, um cheiro meio adocicado, muito suave.

Os móveis então começaram a ficar tortos, deformados, e alguns com a aparência, como estivessem se derretendo. Tentei sair dali e vi que meus movimentos estavam afetados, meus músculos dormentes, e os móveis continuavam a derreter. Vi quando minha mãe entrou correndo na sala, usava uma coisa engraçada no rosto, parecia uma máscara contra gases, sua voz estava esquisita, como se estivesse brincando de imitar um pato. Ela me pegou pelo braço e me tirou da sala; mas antes me repreendeu severamente dizendo:

Menino, já não te disse que quando os moradores dedetizarem a casa, você deve ficar de fora? De que adianta entrar numa casa onde não existem insetos? É certo que nós as lagartixas somos vacinadas contra o DDT, mas ele provoca dores de barriga e urticária, e até alucinações. Ainda bem que voltei mais cedo do mercado, pois não me saía da cabeça que você estava por aqui...



Por:Alberto Grimm

O Milagre das Sementes (conto)

Todos estavam felizes, pois a tradicional festa da colheita estava perto.
Era muito esperada encerrava um tempo de muito trabalho, que trazia também muita esperança.
Cada fazendeiro apresentava uma amostra do que havia plantado.
Mandavam para os grandes centros, e até mesmo para fora do pais.
Armavam as barracas com diversos pratos da culinária local..É claro que não faltavam os doces e as tortas especiais.
Vendiam geléias feitas com as frutas de seus próprios pomares, queijos frescos manteiga e mel.
Alguns se arriscavam em vender melado também.
Para este dia vinham muitos visitantes de outras cidades todos vestidos a caráter.
Ou seja; camisa xadrez lenço no pescoço e botas.
As mulheres usavam saias longas bem enfeitadas e lenço na cabeça.
Havia a dança tradicional, que nem treinavam mais pois sabiam muito bem dançar.
A musica provinha dos músicos da igreja.
Era uma festa e tanto!
Neste dia as crianças ganhavam moedas dos pais para comprarem o monte de coisinhas que havia na feira..Desde bolas de borracha , saquinhos de bolinas de gude, caminhões feitos de madeira, trenzinhos e alguma peças de mobília todas em miniatura.Bonecas tinham varias, toda de pano.
Durante o ano as avós e os avôs exercitavam sua habilidade para exporem na festa e naturalmente vender.
Beatriz queria muito uma mobília de quarto para sua casinha.
Guardou as moedas que ganhara fazendo pequenos serviços em sua própria casa. Era uma recompensa que sua mãe lhe dava.
Guardou-as num saquinho de pano amarrou bem e colocou no cantinho de sua gaveta.
Chegado o dia, vestiu-se foi até a gaveta para pegar o saquinho e...nada havia sumido.
Levou um susto tão grande era sua decepção.
Quis falar com sua mãe, mas esta já havia ido para a festa. Tinha deveres lá e foi mais cedo.
O pai também não estava em casa naquele momento.
Sua avó estava!
Correu para o quarto dela e contou o ocorrido.
Estava tão aflita que as palavras não saiam!
A avó não serviu de consolo .pois não sabia de nada.
Poderia lhe dar algumas moedas, e deu. ,mas não seriam suficientes para comprar a mobília que esperara o ano todo.
Aceitou e agradeceu e saiu de casa para ir até a festa.
No caminho que era longo, sentou-se numa pedra grande.
Fitando o céu com lagrimas a escorrer dos olhinhos.
Oh meu papai do céu, eu queria tanto a mobília guardei cada moedinha e agora perdi?
Eu acho que não merecia ter, não é mesmo?
Enxugou os olhos e continuou a andar.
Bem adiante estava uma senhora muito aflita.
-Que aconteceu minha senhora?
-Eu vinha pela estrada de carroça, de repente uma cobra atravessou a estrada e assustou o cavalo.
Consegui pular, mas ele levou minha bolsa e tudo que tinha comprado na feira!
-Beatriz ajudou a senhora a levantar-se e foi buscar a carroça que estava bem adiante longe mesmo na ribanceira.
Conseguiu traze-la tinha pratica com animais e sabia manejar a carroça.
-Pronto minha senhora aqui esta sua carroça, felizmente o eixo esta inteiro e o cavalo não esta machucado.
A mulher abraçou a menina e foi até a carroça.
Mexeu em tudo e felizmente não havia quebrado nada e principalmente a cobra não havia picado seu animal também.
Voltou-se para Beatriz com uma caixa grande nos braços e disse-lhe:
-Minha querida menina, isto é para você!
Oh não minha senhora não é preciso.
Ajudei e sei que a senhora faria o mesmo por mim.
-Faço questão que você guarde isto como lembrança minha.
Dizendo isto partiu em seguida com a carroça.
Beatriz desanimada que estava ficou mais um pouco sentada na pedra.
Ai então, resolveu abrir o pacote, uma caixa grande.
Para seu espanto lá estava a mobília que tanto queria!
Chorou bastante de alegria.
Olhou para o céu novamente e agradeceu muito.
Nem foi para a festa voltou para sua casa.
Lá estava seu pai.
-Não vai para festa, filha?
Acho que não papai, quem sabe mais tarde.
O que trazes ai?
Beatriz contou ao pai o que havia acontecido.
Foi quando este lhe disse:
Ah, foi para você que ela deu a mobília?
-Como você sabe papai?
Encontrei-me com ela no caminho.
Sabe minha filha ela só faz duas por ano para expor na festa!
Uma deu para você e a outra vai guardar para a filhinha dela.
-Mas papai o devo ficar com este presente?
Sim minha filha, você é uma semente boa.
Ajudou e nem pensou mais em você.
Quando se espalham sementes boas, se colhe frutos bons!
Agora guarde a caixa vamos para a festa sua mãe já deve estar preocupada comigo.
E assim Beatriz teve o que mereceu, de uma outra forma recebeu o que merecia.
Sementes... Sementes... Mágicas.


Marlene B. cerviglieri

A Lenda do Pássaro Urui ( conto)

A aldeia ficava bem no meio das encostas de montanhas altas redondas e cheias de vegetação. O povo era simples, viviam de pequenas plantações e algum gado. Era difícil manter gado, pois o solo era íngreme bem alterado e, quase sempre um boi ou uma vaca despencava da estrada. Criavam mais galinhas, porcos e algumas ovelhas. A vida era muito simples e de muito trabalho. Todos tinham suas tarefas até as crianças. Existia apenas uma igreja na cidade a qual freqüentavam todos principalmente aos domingos, dia de menos trabalho.

Tudo era muito pacato naquela cidade até que começaram a surgir estórias sobre um tal pássaro, o Urui. O que contavam era que o tal pássaro, grande de cor azulada e bico muito afiado, gostava de arrancar os olhos de bichos e de pessoas também. Foi o bastante para que os pais, preocupados com suas crianças, proibissem seus filhos de irem mais longe do que o pátio de casa.

Os filhos acostumados a irem para as montanhas, nadar nas nascentes ficaram muito tristes com a tal estória. Certo dia, Elias que era um rapazinho já nos seus doze anos, convidou dois amigos e resolveram tirar isto a limpo. Foram até lá procurar o tal pássaro. Assim sendo, uma manhã ao invés de irem levar a carroça de feno para o posto onde deviam ir, pegaram o caminho de uma das montanhas.

Embrenharam-se pela vegetação falando e imaginado o que poderiam encontrar. Não sentiam medo, mas usavam bonés para em caso de um ataque do pássaro esconderem os olhos. Andaram bastante e ficaram cansados. Resolveram descansar embaixo de uma frondosa e enorme arvore. Haviam levado pão e lingüiça e começaram a comer. Quando já estavam satisfeitos, recostaram-se e tiraram um cochilo.

Todos estavam quase dormindo, menos Elias que ficara atento. Daí percebeu que alguma coisa se aproximava. Ficou alerta. Esperou e não disse nada.

- Será, meu Deus, que é ele?

Assim ficou quietinho e viu quando um pássaro desceu da árvore e veio até o chão comer as migalhas de pão. Ficou quietinho e observou bem o pássaro. Grande quase de cor preta, era um azul bem escuro, pernas longas, bico grande e comprido. Mas e os olhos? Credo, quase nem se via os olhos de tão pequeninos!

Começou então a notar a dificuldade do pássaro em encontrar as migalhas que estavam no chão.

- Parece que ele não enxerga!

E para seu espanto o pássaro veio para perto dele. Elias não se mexeu. O pássaro parecia querer sentir o menino. Subiu por seu braço, chegando até seu ombro. Elias permanecia duro de medo. E pensava: é agora vai me arrancar os olhos!

Mas o pássaro nada fez e catou as migalhas que ainda estavam em suas roupas. Elias percebeu a dificuldade e então o pássaro saiu voando para a árvore.

- Será mesmo o que estou pensando?

E era mesmo verdade. Voltando para a aldeia contaram para os pais o que havia passado. Resolveram montar uma arapuca e pegar o pássaro, já que parecia tão manso. Assim o fizeram no fim de semana. Trouxeram-no, e o mantiveram numa grande gaiola. Observaram-no tempo todo. Certo dia porém, o gato da casa chegou perto da gaiola. E o Urui não teve dúvidas: Furou-lhe um olho. O Urui sentiu a ameaça e defendeu-se. Como não enxerga bem, ataca para se defender.

Mesmo assim até hoje a Lenda existe, e muitas crianças e até pessoas tem receio de ir para a mata sem uma proteção para os olhos. Encontrar o pássaro Urui, credo Deus Pai! Coisas de aldeias, estórias de montanheses.



Marlene B. Cerviglieri

A Árvore Bolinha (conto)

Era época das flores. Estação que chamamos de Primavera. Não é prima de ninguém, apenas este é o seu nome. Nesta época as flores estão muito lindas, os pássaros estão fazendo seus ninhos. Parece até que a vida está se renovando. Sendo assim fui para um lugar de nome Jardim Encantado, comprar algumas mudinhas de plantas para meu pequeno jardim. Estava cheio de gente, todos rindo felizes em ver as mais variadas formas de plantas e cores das flores.

- Que coisa linda de se ver!

Fiquei parada perto de um canteiro muito grande, onde havia sido montado um jardinzinho cheio de pedras e lindas arvores. Esperando minha vez de ser atendida, sem querer ouvi a conversa das plantas. Foi mais ou menos assim: Dizia a planta do Fícus que se torna uma árvore alta bem comprida:

- Não vejo a hora que alguém me leve para seu jardim, sei que vou crescer e ficar muito lindo.

- Bem eu estou aqui no chão, sei que sou grama e cresço não muito, mas todo jardim precisa de mim.

O arbusto de jasmins já com algumas flores abertas, suspirava todo prosa:

- Eu tenho certeza que me levam, pois além de enfeitar também exalo um perfume adorável.

Dona Begônia vermelha que estava bem rechonchuda no seu vaso disse:

- No meu caso alegro o ambiente, tudo verde e eu sou vermelha.

Aí então me chamou a atenção uma arvorezinha bem pequena. Estava tristonha e consegui ouvir o que dizia, apesar de ser bem baixinho, quase chorando.

-E eu? Ninguém vai querer me levar. Sou pequenina, e me transformaram em uma bolinha? Por que, por que sou diferente das outras árvores?

E tristonha parecia até estar encolhida no vaso. Foi então que apareceu ali, perto de mim, uma família. O papai, a mamãe e uma menina muito lindinha cheia de cachinhos nos cabelos.

-Veja mamãe que lindo jardinzinho!

- É uma amostra, filhinha. Vamos escolher umas plantas. Disse a mamãe.

A menina logo se dirigiu para a pequena arvorezinha bolinha.

-Veja mamãe que coisa lindinha! Posso levá-la? Prometo que eu mesma cuidarei dela.

- Bem, se você assim o fizer, está tudo bem. Será a tua árvore bolinha, certo?

Fizeram as escolhas depois de mim, mas não fui embora. Fiquei para ver o que haviam resolvido. A menina não saiu de perto da arvorezinha e dizia para ela:

- Seremos boas amigas, vou cuidar bem de você pois também sou especial.

Ali perto do caixa esperando passar minhas plantas pensei:

- Especiais. Todos nós o somos de alguma forma. Ninguém sabe o porquê das diferenças. Existem tantas explicações... Se não entendemos porque não cuidarmos com amor e carinho? Mesmo plantas nascem diferentes, animais também.

A vida nos reserva surpresas que muitas vezes não estamos preparados para recebê-las, assim como bênçãos para aprendermos melhor.

Guardei as plantas no carro e fui feliz para casa, por ter visto um gesto tão bonito numa pequenina menina que já cedo sabia o que era dar amor.

Devemos sempre tratar bem nossas plantinhas, pois elas também sentem tudo como nós sentimos. Não arranque as folhas nem se pendure nos galhos.Como você se sentiria se maltratassem você?

Cresça feliz respeite o outro, tenha carinho e amor!




Marlene B. Cerviglieri

A Árvore Crespinha (conto)

Dentro de um parque muito lindo estava a árvore crespinha. Era assim que os demais moradores a conheciam. Era muito alta e toda coberta de folhinhas dando a impressão que foram colocadas uma a uma no tronco dela. Os pássaros gostavam de conversar com ela, pois sempre aprendiam alguma coisa nova. Tinha sempre boas palavras para todos e dificilmente se irritava. Ficava muito feliz, pois em seus galhos abrigava muitos ninhos de pássaros que vinham de longe, para ali construírem seus ninhos.

- Você não se incomoda com tanto barulho - disse-lhe um dia o sabiá num papo com ela. - Não – respondeu -, eu até gosto e muito, pois sempre tenho amigos em volta.

- Sabe - disse o sabiá -, não te incomoda também toda esta folha em volta de você?

- Ora seu sabiá, isto é um presente que recebi.

- Presente! De quem?

- Da Mãe natureza. Respondeu a árvore.

- É uma proteção que tenho. Por isso que te chamam de árvore crespinha?

- É sim.

O sabiá achava feias as folhinhas parecia uma coisa maluca - pensou.

Passados alguns dias estavam todos fazendo suas tarefas no parque.

Os pássaros procuravam ajudar as mamães na formação dos ninhos, e todos buscavam gravetinhos. Também frutinhas das quais se alimentavam. Tomavam seus banhos e brincavam saltando de um lado para outro. Mas eis que começou a se formar uma nuvem grande e escura. Estava carregada e logo iria despejar toda água no parque.

Voavam todos para seus ninhos suas casinhas a fim de se abrigarem da chuva que já vinha chegando. E ai começou a cair muita água e até pedrinhas que chamamos de granizo. É muito bonito de se ver, mas estas pedrinhas, granizo machucam as plantas e, conforme o tamanho, quebram até telhados. Por uma meia hora foi uma tempestade bem forte. Quando passou havia um silêncio no parque.

Hora de se ver os estragos. Quanta plantinha não resistiu, e muitos filhotinhos caíram do ninho e estavam mortos no chão.

Que tristeza de se ver. E dna árvore crespinha, como estaria?

Voando depressa lá foi o sabiá ver a situação.

Como sempre ela estava sorrindo e suas folhinhas estavam grudadas no tronco, como a dizer daqui ninguém me arranca.

- Olá dna crespinha como esta a senhora - disse o sabiá.

- Estou muito bem senhor sabiá. Todas minhas folhinhas estão limpas, mas o melhor foi que os meus moradores estão todos bem.

- É mesmo?

- Sim na hora da chuva pedi que viessem se abrigar no meio das folhinhas enrolando seus filhotinhos e assim o vento não os derrubou. Agora podem voltar para seus ninhos. E o senhor, sabiá, como está?

- Ora, estou bem.

- E sua família?

- Não sei eu voei para me proteger e nem pensei em mais nada.

- Senhor sabiá que coisa feia de se dizer! Não devemos pensar só em nós.Os demais, mesmo não sendo de nossa família, merecem atenção também. Hoje o sr conseguiu se salvar e está bem, e amanhã? Sempre precisamos um do outro. É tão bom poder ajudar.

E lá no alto da árvore os pássaros cantavam felizes novamente. Tudo é tão passageiro, passa depressa. Não acontece novamente da mesma forma, vamos fazer agora pois amanhã poderá não ter mais volta. E ali ficou a arvore crespinha sempre alegre e feliz conversando com quem quisesse falar com ela.

Não havia no parque árvore mais feliz.

- E você já disse e pensou alguma coisa boa hoje? De minha parte um abraço e um grande beijo em teu coração.



Marlene B. Cerviglieri

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Árvore Deitada (conto)

Ali no meio do parque estava a arvore deitada. Seu tronco era imenso e seus galhos pareciam ganchos esparramados ao seu redor. Mesmo assim despertava um fascínio em todos os que por ali passavam. Ninguém sabia, no entanto, que aquela mesma árvore, de mais de cem anos, tinha sido um dia frondosa cheia de folhas e de muita sombra. Sofreu por muito tempo ali deitada, não deixando transparecer que estava muito triste.

- Sou uma árvore careca. Pensava.

Realmente não tinha mais nenhuma folha em seus galhos. No dia que foi derrubada pela ventania muito forte, mas muito forte mesmo, perdeu toda as suas folhas. Ali deitada com a raiz a mostra permanecia como que calada esperando que algo mais acontecesse.

- Que será de mim agora? - pensava quietinha deitada no chão. Os pássaros não vão mais querer fazer os seus ninhos, não há mais segurança, pois estou toda sem folhas.

Quanto mais pensava mais triste ia ficando. Daí que uma manhã surgiu no parque um bando de meninos e meninas vindos de uma escola, para lá passarem algumas horas. Normalmente isto sempre acontecia. Porém naquele dia aconteceu um fato muito bonito. Interessante como diria minha professora.

As crianças depois de andarem em todos os brinquedos existentes, e de fazerem muito barulho estavam cansados demais. Que fazer? Os bancos eram de cimento e duros. Surgiu então a grande idéia.

- Veja - disse um deles - ali está uma enorme árvore!

- E deitada. - disse o outro. Parece uma cama enorme, vamos até lá.

Assim sendo subiram com facilidade na arvore deitada. Encaixaram-se tão bem em seus galhos, e lá descansaram. Quando voltaram para a escola tiveram que relatar o passeio. É claro que o assunto imediato foi a árvore deitada. Como falaram tanto dela a outra classe pediu também para ir vê-la.

Hoje a árvore deitada é procurada por muitos jovens que se sentem bem a vontade para subir nela, sentar lá em cima e descansarem. Às vezes pensamos que tudo está perdido, não terá mais solução. Engano nosso, para tudo tem jeito, é uma questão de sabermos esperar e ter paciência. Os fatos mudam nada é para sempre.

Do medo de ir para a fogueira que tinha a árvore, pois achava que não servia para mais nada. Tornou-se o lugar mais procurado do parque. Quando estiveres achando que nada mais vai dar certo, espere e verás que o conserto logo virá. Existem mil formas de ser, não necessariamente precisam ser sempre as mesmas. O difícil é aceitar as diferentes, pois as conhecidas são fáceis. No tombo mesmo permanecendo deitado, existe a transformação. Sejamos como a árvore e pensemos positivo para enfim podermos ajudar e sermos ajudados.



Marlene B. Cerviglieri

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Sonho ( conto )

Certa vez o mestre taoista Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado ali, uma pessoa novamente.
Mas então ele pensou para si mesmo:
"Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha ser um homem?"

Por: Contos Zen